A TERAPIA OCUPACIONAL E SUA INTERVENÇÃO NOS CASOS DE DEMÊNCIAS
Ilka S. Barreto Barros
Terapeuta Ocupacional
CREFITO – 1148-TO
O termo “demência” ainda assusta a um grande número de pessoas. Porém, na neuropsiquiatria é empregado para definir a perda, freqüentemente progressiva, das funções intelectuais, capacidade de raciocínio, alterações de funções neuropsicológicas como: memória, orientação espacial e temporal, linguagem, alterações de comportamentos afetivos e inadequação do comportamento ao contexto social. Estes sintomas são suficientemente graves para comprometer o funcionamento social ou ocupacional de uma pessoa.
Dentre os tipos de demências mais comuns estão: as causadas por Traumatismo Craniano, Doença de Pick, Parkinson, Huntington, Demência Vascular e a de Alzheimer, sendo esta a de maior prevalência.
Caracteriza-se pela perda da capacidade de memorizar, resolver os problemas do dia-a-dia, pensar de maneira abstrata, planejar e realizar ações complexas, desenvolver atividades de vida diária como se vestir, se alimentar, utilização e manuseio de objetos, o que interfere nos relacionamentos e atividades sociais e profissionais.
Para pessoas com demência torna-se difícil dissociar o saber (gnosias) e o fazer (praxias), como por exemplo, acender um fogão ou colocar uma chave na fechadura.
A Terapia Ocupacional interessa-se com os problemas do homem em sua vida de atividades. O objetivo da sua intervenção para pessoas com alterações neuropsicológicas consiste em diminuir as limitações funcionais e estimular o desempenho da função, favorecendo-lhe um maior grau de autonomia e independência no desempenho das suas atividades dentro de uma perspectiva psicossocial no ambiente da saúde mental. Quando danos cognitivos limitam a capacidade do indivíduo de lembrar-se de procedimentos e precauções associados a tarefas da vida diária, os terapeutas ocupacionais estimulam o desenvolvimento de atividades que servirão como desafios terapêuticos para colaborar com os indivíduos a melhorar os componentes de desempenho.
Na prática clínica para tratamento de pessoas com demência, recomenda-se uma combinação de técnicas que objetivam mudar a pessoa, a tarefa e o ambiente de modo que haja menos exigência sobre a memória, a fim de melhorar o cuidado e reduzir a confusão e frustração.
Cartões ou sinais com indicativos das ações podem ser colocados em locais estratégicos, como: exibir rótulos ou gravuras dos itens contidos em gavetas e armários, pintar portas dos banheiros em colorido diferente dos demais, uso de relógios, calendários, e agenda de memória.
A estimulação da atenção de si próprio promove a autonomia. Esta atenção engloba as atividades para alimentação, higiene pessoal, banho, vestir-se, pentear-se, fazer a barba, etc.
As intervenções da Terapia Ocupacional para pessoas com demência são executadas de acordo com uma rotina preestabelecida, estimulando a orientação temporal e espacial, memória biográfica, emocional e semântica, através de atividades procedendo por exemplo à utilização de músicas, notícias, jornais, álbum de fotografias, revistas e solicitações de tarefas diversas do contexto da pessoa.
O apoio a familiares e cuidadores é primordial. O Terapeuta Ocupacional oferece suporte, desenvolvendo trabalhos psicoeducativos, favorecendo-lhes uma melhor compreensão da doença, o que podem esperar em termos de confusão, as inconstâncias do comportamento, identificar fatores ambientais que irão facilitar a função máxima da pessoa, reduzindo os níveis de angústia e estresse que a doença pode provocar.
O Terapeuta Ocupacional, com a colaboração daqueles que convivem com a pessoa, modela o ambiente de acordo com a personalidade, interesse e nível de conforto desta ajudando-a a manter sua dignidade. Nas demências degenerativas as habilidades cognitivas diminuem com o passar do tempo, portanto, o ambiente deve ser adaptado de forma correta pois mesmo quando as capacidades são muito simples é possível manter a pessoa em atividade, permitindo a manutenção da autonomia durante o maior espaço de tempo possível e principalmente a sua qualidade de vida.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
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